Artigo: Adriana Barbosa – Empreendedora social

Adriana Barbosa – Empreendedora social

Ao começar a Feira Preta, em 2002, ela tinha R$ 3 mil de patrocínio no bolso e a lembrança do espírito empreendedor da bisavó na cabeça. Dezoito anos depois, a feira é o maior festival de cultura negra da América Latina: em sua última edição, segundo a organização, recebeu mais de 40 mil visitantes e teve circulação monetária superior a R$ 1,5 milhão.

Quando precisou aumentar a renda da família, a bisavó de Adriana vendeu coxinhas e montou um restaurante informal em casa. Já a bisneta, ao se ver sem emprego, abriu um brechó itinerante com as próprias roupas. Participava de feiras e frequentava o cenário da black music na Vila Madalena, em São Paulo, quando teve o insight que a levou a criar a Feira Preta com a amiga Deise Moyses. “Percebi que a maioria das produções artísticas saía das mãos de jovens negros, mas nenhum deles era de fato protagonista”, diz. “No final da noite, quem contava o dinheiro eram os homens brancos. Tivemos então a ideia de criar um evento para dar visibilidade às potências de artistas e empreendedores negros.”

A primeira edição reuniu 40 empreendedores e mais de 5 mil pessoas na praça Benedito Calixto. Teve apoio da Unilever, que estava lançando um sabonete dedicado à pele negra. “Perguntaram se já tínhamos feito isso antes, e eu disse que não, mas que eles também não tinham experiência de lançar produtos segmentados para a população negra. Era uma oportunidade de aprendermos juntos.”

O aprendizado aconteceu no evento e fora dele. Adriana cursou gestão de eventos na Universidade Anhembi-Morumbi, com especialização em gestão cultural pela USP. Passou por aceleradoras de negócios sociais, como a Artemisia, que investiu R$ 40 mil na Feira Preta. Participou do programa 10.000 Mulheres da Goldman Sachs, oferecido pela Fundação Getulio Vargas, e do Global Women’s Leadership Network da Santa Clara University (EUA).

Em 2016, quando completaria 15 anos de feira, a empreendedora sentiu que era hora de comemorar. Para a edição de aniversário, trocou o Anhembi por um novo espaço, o Centro de Exposições ProMagno. Com custos mais altos, precisaria de pelo menos 12 mil visitantes pagantes. Vieram menos de 5 mil.

Adriana estava endividada e pensando em desistir quando, em 2017, foi avisada de que figurava entre os 51 negros com menos de 40 anos mais influentes do mundo na lista montada pela organização Mipad (Most Influential People of African Descent). Foi a Nova York receber a homenagem, junto de Taís Araujo e Lázaro Ramos. E resolveu reformular a feira, transformando-a no Festival Feira Preta. “Em 2019, foram mais de 50 atrações nacionais e internacionais ao longo de 30 dias.” Hoje, o festival faz parte da plataforma Pretahub, que inclui outras iniciativas, como o programa de aceleração Afrohub. Em março, deve inaugurar a Casa Pretahub, um espaço de economia colaborativa no centro de São Paulo. (MW)

Matéria original na Forbes
Link: Forbes
Autor: Angélica Mari, Gabriela Arbex, Kátia Mello, Luciene Miranda, Mariana Weber e Rebeca Silva
Foto: Victor Affaro